As agruras da profissão
O dia-a-dia na carreira de um ilustrador não são só "flores". Passei por uma
situação que gostaria de compartilhar com vocês e que cabe bem nesta definição.
A revista InfoMoney, da qual sou colaborador, me solicitou três
opções de capa para a edição setembro/outubro. A primeira abordava o conceito de
"bears", que são os vendedores, a tendência de baixa no mercado financeiro. Eles
estariam encurralando um peão, símbolo do investidor "comum", num tabuleiro de
xadrez. A segunda daria conta de uma espécie de paródia em torno do famoso
quadro "O Grito", de Edvard Munch. O cenário seria todo sinuoso como o da arte
original, mas o personagem central estaria calmo, tranqüilo, "blindado" contra
as perdas. Para finalizar, a terceira opção seria um investidor com uma vela nas
mãos dentro de uma bolsa de valores completamente vazia, no escuro. O conceito
seria a busca por um rumo dentro deste mercado volátil.

Estava crente de que um dos trabalhos passaria pelo
crivo da direção da revista, uma vez que fiz não uma, mas três opções de
ilustração. Apesar de contar com a confiança dos editores, que aparentam gostar
muito do meu trabalho, ficou decidido que a capa seria fechada com uma imagem de
arquivo, sendo aproveitado apenas um enquadramento da opção 3. Abaixo, seguem a
ilustração diagramada na página e, finalmente, a capa oficial.
Quem quiser viver de ilustração tem de entender que estas situações acontecem e são até "naturais" no meio. Por isto, é preciso sempre estar focado em seus objetivos e não deixar-se abater.
